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A Saraiva apresenta o Encontro de Fãs da Banda Legião Urbana, com o Jornalista Ismael Machado, o músico Marco Tuma, mediação de Esperança Bessa e a participação da Banda Geração Urbana.
Quinze anos depois de morto, Renato Russo, letrista, líder e vocalista da Legião Urbana, ainda divide opiniões. Há os que lhe reconhecem um talento acima da média no cenário pop nacional e existem aqueles que o consideram um compositor e letrista superestimado. Seja como for, o fato é que não há no Brasil uma banda de rock que desperte tantas paixões, positivas ou negativas, como a Legião Urbana.
E tudo isso se deve, sem dúvida alguma, a Renato Russo. Dotado de um conhecimento enciclopédico de música pop, o carioca que fez história em Brasília, mudou o panorama do rock nacional quando surgiu para as rádios e TVs em 1984. Antes já havia construído uma reputação subterrânea, a partir de 1978, período em que formou o Aborto Elétrico, na capital federal.
Quando Renato Russo e a Legião Urbana despontaram no cenário pop brasileiro, o País encerrava, não sem traumas, uma ditadura militar de duas décadas. Período de resquícios de censura, de buscas por uma alternativa política diferente da vivida até aquele momento. O então novo rock brasileiro surgia como trilha sonora para uma juventude marcada não pelas lutas contra o regime militar, mas sim por algo que parecia indefinido, mas que buscava novos ares, novos pensamentos, novas atitudes.
A Legião Urbana foi quem melhor soube captar essa energia desfocada, essa indefinição política, esse horizonte nublado, mas que prometia um sol firme e brilhante. Seja dando voz a uma geração que era cobrada por ser ‘alienada’ (Geração Coca-Cola) ou mesmo criticando essa própria geração (A Dança), o primeiro disco da Legião, lançado no início de 1985, depois do single ‘Será’, era uma excelente carta de intenções e, mais do que isso, um guia de caminhos a serem percorridos por toda uma geração.
Se a música de abertura do disco, ‘Será’ já funcionava como um grito de independência (Tire suas mãos de mim, eu não pertenço a ninguém), o resto do LP permitia um leque de informações construídas por um letrista que mostrava saber bem onde pisava. Da tocante e adolescente ‘Ainda é Cedo’, passando pelas mensagens cifradas de sexualidades ainda ocultas (Soldados) e encerrando com a esperançosa, embora melancólica ‘Por Enquanto’, Renato Russo e Legião Urbana, de certa forma, amadureciam questões ainda não tratadas no pop brasileiro de então.
Essas temáticas seguiram discos afora. Se o primeiro LP era, nas palavras de Russo, sobre sentimentos e políticas externas, o segundo, ‘Dois’, de 1986, buscava uma introspecção maior. Voltava-se para dentro do quarto, onde amigos podiam compartilhar sonhos, dores e amores. Foi assim que Renato Russo passou a fazer jus ao nome da banda. Criou-se uma legião de fãs.
Esses fãs nunca abandonaram o grupo. A sintomática morte de Russo, vítima, em 1996, de complicações ligadas à AIDS, não arrefeceu o carinho que a banda mereceu ao longo de mais de uma década. Os fãs renovaram-se. Há cada vez mais jovens buscando na música da Legião aquilo que Renato dizia serem as canções da banda: amigas.